domingo, 28 de novembro de 2010

ENCONTRO

Nesse próximo Domingo dia 28/11/10 às 17:00, estaremos nos encontrando novamente para celebrar a Boa Nova na Estação do Caminho da Graça em Guarulhos. 


Se você percebe e entende a importância do encontro comunitário para a reflexão do Evangelho, na simplicidade de encontro humano, ou seja, o encontro com o próximo, com a vida e obviamente com JESUS!  ("pois todas as coisas subsistem por ele")

Venha compartilhar conosco esse momento!!

TODOS SÃO BEM VINDOS!

Estaremos nos reunindo na 
ESCOLA
 JOÃO ALVARES
Endereço: Rua ESTILAC LEAL, 325
CENTRO DE GUARULHOS

(o local fica numa rua paralela da Av. Monteiro Lobato na altura do Corpo de Bombeiros)

Vamos tomar um delicioso café.com.graça

Se você puder e quiser enriqueça a nossa mesa!

Paz e bem!
Segue abaixo os meus contatos:
 
Fabio Rodrigues
Tels. 2304-9073 e cel. 9150-1642
E-mail: binhoinforms@yahoo.com.br 
MSN - romanos1619@hotmail.com 
ORKUT- binho7@bol.com.br
Informações sobre o caminho da graça, visite o site:
http://www.caiofabio.net/
       
" O CAMINHO É UMA PESSOA E SEU NOME É JESUS "

sábado, 20 de novembro de 2010

MELHOR DO QUE TER PRA ONDE IR E TER PRA ONDE VOLTAR

Outro dia ouvi um amigo gente boa de Deus dizendo q "melhor do q ter pra onde ir é ter pra onde voltar". Ele dizia aquilo referendo-se a estabilidade emocional q aconchego do lar e da família nos trazem. Quando ouvi essa frase "fui levado pelo espírito" até o salmo 139.

Logo de cara, já agradeci a Deus por ele estar ampliando a minha compreensão renovando a minha mente através de uma simples reflexão.

Percebi q independente do lugar onde eu esteja, o único lugar onde estou é na presença de Deus. É uma dimensão eterna onde ninguém sai e o mesmo tempo sempre volta, mas q na temporalidade ( nos limites do tempo e do espaço) ninguém é obrigado a ficar para o seu próprio bem, ou seu próprio mal.
Digo isso concordando com a salmista q diz:
  • Se disser: Deberto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz a roda de mim

  • Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.
  • Se subir ao céu, se descer no mais profundo abismo Deus ali estará.
Ah o Amor de Deus é tão grande q não existe nada fora da presença dele!


Por isso, "melhor do q ter pra onde ir é ter onde voltar" o meu espírito q está pronto não sai do desse lugar, mas a minha alma q é lenta e fraca, precisa aprender a voltar todo dia para o lugar onde sempre estou.



Pense nisso e não se preocupe com lugares!



Nesse próximo Domingo dia 21/11/10 as 17:00, quero te convidar para estarmos juntos, onde sempre estamos..rs para celebrar a BOA NOVA na Estação do Caminho da Graça em Guarulhos.



Se vc percebe e entende a importância do encontro comunitário para a reflexão do evangelho, na simplicidade de encontro humano, ou seja, o encontro com o próximo, com a vida e obviamente com JESUS! ( "pois todas as coisas subsistem por ele")



Venha compartilhar conosco esse momento!!



TODOS SÃO BEM VINDOS!

Estaremos nos reunindo na ESCOLA JOÃO ALVARES, end: rua ESTILAC LEAL, 325 CENTRO DE GUARULHOS. (o local fica numa rua paralela da av. Monteiro Lobato na altura do Corpo de Bombeiros)



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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Encontro dos "do Caminho" em Guarulhos


Nesse próximo Domingo dia 29/08/10 ás 10:00, estaremos nos encontrando novamente para celebrar a Boa Nova na Estação do Caminho da Graça em Guarulhos.

Se você percebe e entende a importância do encontro comunitário para a reflexão do Evangelho, na simplicidade de encontro humano, ou seja, o encontro com o próximo, com a vida e obviamente com JESUS!  ("pois todas as coisas subsistem por Ele")

Venha compartilhar conosco esse momento!!

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A MORTE DO AMOR-GRÃO E A SOLIDÃO QUE PRODUZ MUITOS FRUTOS

Texto inspirado na canção DRÃO de Gilberto Gil



O fato de vivermos num mundo caído e cheio de contradições, as vezes infelizmente nos proporciona surpresas dolorosas e aparentemente mortais, como o fato de tem que encarar definitivamente a morte de um Amor-Grão que ficou pelo caminho da rejeição e da indiferença . 

A “ nossa semeadura o nosso imenso monolito, nossa arquitetura “  quando não é algo edificado sobre a rocha, pode vir a ser um castelo de areia, edficado sobre ilusões; e uma “ semente de ilusão, tem que morrer pra germinar”

Quando os gregos procuraram Jesus ( provavelmente para apreciar a sua sabedoria), Jesus logo posiciona-os quantos aos intentos de vaidades germinadas dentro “ daquilo que é elevado entre os homens”

Jesus fala da morte do Grão e da solidão que conduz a vida: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." - (Jo 12,24)

A nossa grande dificuldade em Amar é o fato de “plantar em algum lugar “ uma semente-expectativa de reconhecimento condicional ao amor que oferecemos. Não nos contentamos em simplismente ter feito o que devíamos sempre ter feito, simplismente ter AMADO!

Daí quando amamos e somos rejeitados pela indiferença e a rejeição dos outros, a gente se sente só!  Numa “dura caminhada pela estrada escura”

De fato e de direito, ninguém planta amor sem aguardar a semear o amor. Mas a grande questão é que nem sempre isso acontece, pois o próprio Jesus embora fosse seguido por multidões em determinados momentos, caminhava sozinho quando se tratava da sua verdadeira ambição que era dar a sua vida pelo pecado do mundo. No seu caminho sobremodo excelente, ele gerou frutos capaz de reconciliar toda a humanidade.

Por isso amando e seguindo o caminho do Amor sei que darei muito fruto, pois uma coisa é certa!: “ QUEM PODERA FAZER AQUELE AMOR MORRER? SE O AMOR É COMO UM GRÃO...  MORRE NASCE TRIGO, VIVE MORRE PÃO!

Pense nisso e continue  semeando muitos trigos de amor nesse mundo congelado pela inafetividade, continue  amando assim mesmo!
Pois o maior fruto do Amor é o próprio Amor! e isso já basta!!  pois sem ele " nada vale"

Fabio Rodrigues

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Encontro dia 22/08/10


Nesse próximo Domingo dia 22/08/10 ás 10:00, estaremos nos encontrando novamente para celebrar a Boa Nova na Estação do Caminho da Graça em Guarulhos.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

PIPOCAS DA VIDA

Por Rubens Alves
 
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
 
São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
 
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
 
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
 
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: Bum!
 
E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
 
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.

UMA VISÃO DO FUTURO, ASSUSTADORA! por MARX GEHRINGER

MEMÓRIAS DO SÉCULO XXI

As previsões sobre o futuro estão quase sempre erradas. Mas quem disse que é para as pessoas saberem o que vai acontecer com elas amanhã?

Por Max Gehringer

Hoje é 20 de agosto de 2124, quarta-feira, que no Brasil agora chama Wednesday, já que o português foi oficialmente banido quando nos tornamos o 67o Estado dos United States of Wide America, em 2095. Teve quem não gostou, claro, principalmente depois que a Floresta Amazônica virou a Tropical Disney World, mas a maioria apoiou porque finalmente pôde tirar passaporte americano sem aporrinhação e passou a receber salário em dólar.

É verdade que muitos brasileiros ainda conservam um ranço xenófobo, o que é meu caso, por isso este relatório está sendo escrito em nossa antiga língua-mãe, que eu só domino porque nasci lá no distante 1980. Fiz 144 anos, trabalho há 126, estou forte e saudável, mas já ouço insinuações de que minha carreira entrou no plano vegetativo. A vida corporativa do século XXII não é justa com o pessoal da sexta idade, como eu: basta a gente chegar aos 140, e começa a ser discriminado no trabalho...

Os velhos tempos me dão saudade (uma de nossas poucas palavras que entraram no Mega dicionário Americano, como sinônimo para "senseless feeling"), apesar de quase mais nada ser como era. Por exemplo, eu nasci com unha, cabelo e dente, últimos resquícios de nossa ascendência selvagem. E na juventude pratiquei zelosamente um ato denominado "sexual" para a reprodução da espécie, coisa que, hoje, a ciência simplificou muito: basta ir a qualquer McDonald's, comprar um kit de óvulo espermatozóide (o número 3 tem sido o preferido pelos consumidores, porque acompanha uma Coca-Cola grátis) e inseri-lo num tubo plugado a um sistema embrionário - cujo nome técnico é "tamagoshi". Aí, é só redigitar a configuração desejada do genoma e depois ir clicando os comandos para as cargas vitais de proteínas. Simples. Em seis semanas, aparece a ficha fitoergométrica da criança, os custos de alimentação e educação e a mensagem "Are you sure you want to give birth?" Meu filho mais novo, o 365A27W648, vulgo "8", agora deu de ser curioso e me perguntar porque no meu tempo as coisas eram tão complicadas. Eu tentei explicar para ele que o tal ato ia além da simples reprodução, que a gente sentia prazer em copular, e ele fez aquela cara de nojo, típica de adolescente recém-saído da universidade. Mas, tudo bem, ele tem só 4 anos, um dia talvez entenda melhor. Eu sei, estou divagando, desculpem. Não é das reviravoltas da natureza que este relatório trata, e sim das relações no trabalho. Meu hiperboss vai fazer uma apresentação no mês que vem, em Urano - com o criativo título de "Como Enfrentar os Desafios do Século XXII" -, e pediu minha colaboração.

Ele quer mostrar às novas gerações a evolução da interação entre empresas e funcionários ao longo dos últimos 150 anos, desde a chamada "Era Jurássica Trabalhista" (1980-2020) até o aparecimento do "Homo Pizza", no final do século XXI. E me escolheu porque eu vivi todas as etapas do processo, além de ser o único por aqui que ainda sabe usar algarismos romanos. Então, vamos lá:

TRANSPORTE

Os empregados acordavam de manhã e iam para seu local de trabalho dirigindo um veículo pesadão e lerdo, que funcionava queimando derivados do extinto petróleo, chamado "automóvel" - não sei bem por que esse nome, que significa "move-se por si mesmo", já que o tal veículo só se movia sob comando humano e, algumas vezes, nem assim. Mas a maior dificuldade era enfrentar o "trânsito", do latim transire, "ir para a frente", e esse era exatamente o problema, já que o trânsito quase nunca ia em frente, e daí originou-se uma frase de uso muito comum, "Atrasei por causa do trânsito", que li teralmente significa "Fiquei para trás porque fui para a frente". Ou seja, aquele povo era duro de entender. O mais incrível é que, apesar de tanta confusão e contrariando a lógica, as pessoas ainda conseguiam chegar ao que chamavam "local de trabalho".

LOCAL

O sistema jurássico de trabalho era coletivo, e as empresas até usavam jargões como "teamwork" para incentivar essas aglomerações, sem atentar para o fato de que elas eram uma fonte de proliferação de micróbios.

O ponto de encontro era o escritório, um lugar onde os funcionários escreviam, daí a origem da palavra. Eram áreas enormes, onde pessoas se amontoavam em cubículos e passavam a maior parte do tempo produzindo "documentos", cuja principal finalidade era a de servir como evidência física de que as pessoas estavam ocupadas. Após produzidos, os documentos eram imediatamente "arquivados", de preferência em lugares onde nunca mais pudessem ser localizados. Isso na época tinha o mesmo nome de hoje, "burocracia". A diferença é que os atrasados do século XX faziam tudo com oito cópias, e nós, 150 anos depois, conseguimos reduzir para sete.

INDIVIDUALIDADE

O primeiro passo para erradicar o coletivismo inútil foi o "SoHo" (Small office, Home office), uma sigla surgida aí por 2000, que permitia aos funcionários trabalhar, confortável e produtivamente, em suas próprias casas. No Brasil, uma das conseqüências imediatas do SoHo foi o aparecimento de uma variante esperta, o "SoNo". O que obviamente implicou num aumento brutal da quantidade de documentos produzidos, porque só assim os chefes acreditariam que seus funcionários estavam acordados em suas casas. Depois do SoHo veio o "SoCo", aí por 2050. O "Co", todo mundo sabe, significa Chip office. Foi quando as corporações conseguiram implantar um microchip em cada funcionário para controlá-lo 24 horas por dia, desde o batimento cardíaco até o nível de atividade dos neurônios. Uma das características do SoCo que mais agradou às chefias - além do comando de "wake up call" - foi a possibilidade de emitir um choque elétrico remoto quando o funcionário atrasasse a remessa de um documento.

JORNADA

Trabalha-se oficialmente 2 horas por semana, mas já há rumores de que a jornada será reduzido para 100 minutos semanais. O que, tirando o tempo necessário para o sono e as inconveniências fisiológicas - que não sofreram alterações nos últimos 100 000 anos -, dá umas 120 horas ociosas por semana. O professor Domenico De Masi, que vive em estado de hibernação metafísica na Itália, afirma que isso é um absurdo, e defende a tese de que no futuro trabalharemos 100 minutos por ano. Mas o problema, mesmo, é que nunca conseguimos nos acostumar com o ócio. Por isso, nossa maior fonte de renda atual é a hora extra - fazemos, em média, 14 delas por dia, inclusive aos sábados.

EFEITOS COLATERAIS

Hoje, as megacorporações vêm se questionando se essa troca do trabalho grupal pelo individual foi realmente um progresso. Primeiro, porque ninguém mais conhece ninguém, já que os "colegas" viraram imagens digitalizadas.

Segundo, porque todo mundo ficou sedentário e engordou uma barbaridade. E terceiro porque os antigos executivos eram estressados, e os novos sucumbem à depressão, o que acarreta muitos suicídios (ou, em linguagem ciberneticamente correta, self alt+ctrl+del). O maior guru de administração do século XXII - Tom Peters, vivendo confortavelmente em estado gasoso, num tubo de ensaio - publicou recentemente um artigo que está causando uma comoção corporativa. Ele defende a tese de que "nada substitui o contato humano". Incrível, dizem seus fiéis admiradores, que ninguém tivesse pensado nisso ainda.

EMPREGO

Conseguir um bom emprego hoje em dia não é difícil. O duro é se manter nele, porque as exigências para resultados de curtíssimo prazo aumentam cada vez mais. O tempo médio de permanência num emprego é de 28 horas.

Daí o conceito em moda ser o da habilidade para saltar de galho em galho, ou "businessbilidade", que se resume a três fatores: experiência cósmica, formação galáctica e ser bem relacionado com quem manda.

SEXO

As diferenças entre sexos não são mais limitantes para o preenchimento de um cargo. Não porque tenha acabado a discriminação, mas porque acabaram os sexos.

A antiga classificação masculino/feminino/outros" caiu em desuso a partir do momento em que os assim chamados "homens" e "mulheres" equilibraram seus níveis de testosteronas e estrógenos. A ambivalência chegou a tal ponto que hoje os dicionários só registram a palavra "testículo" como sinônimo de "pequeno teste aplicado a estagiários".

HIERARQUIA

Nos tempos primitivos, as posições hierárquicas eram decididas ou por competência ou por protecionismo. Mas levava vantagem quem acumulava mais diplomas. Tudo mudou a partir do momento em que foi implantado o sistema de "Transferência Integral de Informações", pelo qual qualquer ser humano, quando completa 2 anos de idade, é acoplado a um megacomputador Deep Blue e absorve, em 15 minutos, o conhecimento acumulado pela espécie nos últimos dez milênios. Tem aí uma novíssima teoria dizendo que isso nos transformou numa raça de esponjas, e que o grande diferencial atual é saber pensar por conta própria, em vez de enfiar o dedo no nariz e dar um "retrieve". Segundo a teoria, há uma minoria de pensantes que consegue se perpetuar nas chefias porque tem "Inteligência Psicoemocional", ou seja, uma combinação balanceada de "instinto", "conhecimento" e "autocontrole". Eu acho que já ouvi isso antes, só que não me lembro bem quando foi.

RELACIONAMENTO

Os funcionários têm abertura para se comunicar fora do trabalho, desde que respeitem o conc eito-chave do século XXII: Lógica Absoluta, ou seja, os assuntos devem ficar restritos aos negócios. Sentimentos e emoções, manifestações consideradas contraproducentes, estão proibidas desde 2104. Mas sempre tem quem não sabe aproveitar a liberdade: nosso maior problema social são os subversivos que se reúnem escondidos para praticar o maior delito da atualidade: rir e contar piadas. Não é por acaso que o maior best-seller desta semana é o cibertexto de auto-ajuda "Você Pode Ser Feliz, Desde Que Ninguém Saiba".

INFERNET

A arcaica Internet, uma rede de comunicação que causou furor no fim do século XX, e que hoje é citada como exemplo de paranóia coletiva, foi substituída pela Infernet, à qual todos somos plugados logo ao nascermos. A palavra veio do latim infernus, "subterrâneo", uma analogia a seu formato de raízes que alimentam o caule central. O caule, de onde saem e para onde convergem todas as informações, é a Suprema Inquisição, cuja regra é "Todos somos iguais perante Deus". Sendo que Deus, como todos sabem, é Bill Gates. Embora corra por aí o boato de que quem manda, mesmo, é o ACM.

CONCLUSÃO

Em meus 144 anos, vi o futuro ir acontecendo, e aprendi pelo menos uma coisa: as previsões estavam sempre erradas. Acho que descobri o porquê. Outro dia achei um livro antigo, que já caiu em desuso por ser a negação da lógica. De qualquer forma, lá foi escrito, há milhares de anos, que cada dia é diferente do outro, exatamente "para que o homem nunca possa descobrir nada sobre seu próprio futuro" (Eclesiastes, 7, 14).

 

O CAMINHO DO FOGO E AS MÚLTIPLAS DIMENSÕES DO SER

Este texto foi retirado do livro "O Caminho do Fogo"- Caio Fábio, 1997

“Depois, disse Moisés a Arão: Chega-te ao altar, faze a tua oferta pelo pecado e o teu holocausto; e faze expiação por ti e pelo povo; depois, faze a oferta do povo e a expiação por ele, como ordenou o SENHOR”. Chegou-se, pois, Arão ao altar e imolou o bezerro da oferta pelo pecado que era por si mesmo.

Os filhos de Arão trouxeram-lhe o sangue; ele molhou o dedo no sangue e o pôs sobre os chifres do altar; e o resto do sangue derramou à base do altar.

Mas a gordura, e os rins, e o redenho do fígado da oferta pelo pecado queimou sobre o altar, como o SENHOR ordenara a Moisés.

Porém a carne e o couro queimou fora do arraial.

Depois, imolou o holocausto, e os filhos de Arão lhe entregaram o sangue, e ele o aspergiu sobre o altar, em redor.

Também lhe entregaram o holocausto nos seus pedaços, com a cabeça; e queimou-o sobre o altar. E lavou as entranhas e as pernas e as queimou sobre o holocausto, no altar.

Depois, fez chegar a oferta do povo, e, tomando o bode da oferta pelo pecado, que era pelo povo, o imolou, e o preparou por oferta pelo pecado, como fizera com o primeiro.

Também fez chegar o holocausto e o ofereceu segundo o rito.
Fez chegar a oferta de manjares, e dela tomou um punhado, e queimou sobre o altar, além do holocausto da manhã.

Depois, imolou o boi e o carneiro em sacrifício pacífico, que era pelo povo; e os filhos de Arão entregaram-lhe o sangue, que aspergiu sobre o altar, em redor, como também a gordura do boi e do carneiro, e a cauda, e o que cobre as entranhas, e os rins, e o redenho do fígado.

E puseram a gordura sobre o peito, e ele a queimou sobre o altar “(Levítico 9: 7- 20)




Esta palavra, aparentemente tão distante de nós, da nossa realidade, dos nossos ritos, dos nossos encontros espirituais, pode significar muito em nossas vidas se pedirmos que Deus abra a nossa mente derramando a luz do Espírito Santo, dando-nos entendimento a fim de que ela se transforme não num amontoado descritivo de sacrifícios cruentos, mas em palavra de cura e de graça, que nos faz viajar para dentro da justiça justificadora de Cristo e que nos mantém em pé e em paz, a fim de podermos ver o fogo cair.

O fogo, como é descrito em Levítico 9,só caiu de maneira válida e sobrenatural depois que um caminho de sacrifício foi percorrido, um corredor de oferendas , um fluxo de serviços espirituais foram apresentados diante de Deus.

A questão é: onde é que este caminho passa? Se é que este caminho tem sua passagem ainda hoje dentro da nossa vida.

O Novo Testamento nos dá conta de que todos esses sacrifícios e rituais do passado eram apenas sombras, projeções daquilo que um dia Jesus Cristo iria consumar, materializar definitivamente ao nosso favor, assim como Ele veio a fazer através da cruz e da ressurreição.

Sendo assim, a resposta à questão é: se Jesus é a consumação disto tudo, se nEle as coisas ganham a sua convergência e realização final é porque neste caminho simbólico de oferendas no Velho Testamento – que levam até a experiência do fogo, da validação, com a presença sobrenatural de Deus – pode-se ter a clara, porém simbólica, perspectiva de como a graça de Deus opera em áreas e recônditos diferentes da nossa experiência com Ele. Ou seja: os simbolismos dos sacrifícios de Levítico podem ajudar-me a entender quais são os arquétipos psicológicos de minha alma e como é que a Graça opera em cada uma dessas dimensões.

De fato, o escritor de Hebreus já dissera e Paulo anteriormente também, que Deus não está preocupado com bois, nem com carneiros, nem com cabras, mas a preocupação dEle na Escritura é a revelação de Sua graça a mim e a você, seres humanos feitos a Sua imagem e semelhança. Por isto, ante do fogo que cai do céu num espetáculo público de avivamento existem outros fogos que vão sendo acesos em rituais de graça, em áreas, em dimensões diferentes do ser daqueles que se aproximam de Deus querendo paz e amizade com Ele. Assim é que o texto nos conduz a uma percepção dos caminhos da graça que nos dirigem ao fogo divino, genuíno e santo, e é este movimento, esta viagem ou este passar pelo corredor da graça que é fundamental para eu e você entendermos quais são os caminhos para encontrarmos o fogo e, antes de tudo, encontrarmos com Deus e com nós mesmos. Que caminhos são estes?

AS VEREDAS DA ALMA E OS RITOS DA GRAÇA

O CAMINHO QUE CONDUZ DA CULPA À INTIMIDADE COM DEUS

Inicialmente, podemos perceber o caminho que vai da culpa de não conhecer a Deus até o prazer de sentar com Deus como amigo. Estes dois extremos estão aqui no texto de Levítico.

Releia-o com atenção. Veja, a primeira oferenda começa com uma alienação radical, com a consciência esmagadora que se ganha de que nós somos adversários e inimigos de Deus na nossa própria natureza íntima.

É a culpa de não conhecer Deus e mesmo não O conhecendo ser hostil a Ele. Esta é uma viagem que vai deste ponto até aquele outro onde a gente senta à mesa de Deus, serve a Deus e por Ele é servido, comendo com Ele como amigo.

Este é o projeto da nossa viagem espiritual aqui debaixo do sol. A graça de Deus nos encontra nesta postura de adversidade e inimizade em relação a Deus e quer nos conduzir ao encontro fraterno com o Divino, onde a gente O celebra, O beija e é beijado por Ele; onde a gente ouve a gargalhada de Deus e gargalha com Ele, e assim a alma não vê Deus como aquele que tem o papel santo do adversário, que persegue a nossa existência, mas, ao contrário, Ele é Aquele que nos acolhe,abraça, inclui, pois conhece a nossa alma e não nos despreza.

Para conhecermos estes caminhos que aqui se apresentam precisamos fazer uma viagem onde facilmente nos reconheceremos; uma viagem através dos quatro ritos de graça.

A OFERTA EXISTENCIAL

O primeiro rito é o da oferta existencial. Aparece nos versos 2 e 3, no capítulo 9 de Levítico. Aparece como oferta pelo pecado.

Veja bem que não está no plural, não é pelos pecados, mas sim no singular: pelo pecado. Ora, isto tem a ver com esta coisa existencial, com a tortuosidade básica e as distorções íntimas do ser. É algo anterior ao comportamento, à ação moral e à ética; tem a ver com o que eu sou e não o que eu faço; tem a ver com a minha condição humana ambígua, rachada, quebrada em mim mesmo. É, portanto, com a percepção de que não tem absolutamente nada a ver com o comportamento moral, mesmo porque aqui neste ponto o comportamento moral é ridículo, irrisório e estúpido, seja ele qual for.

Do filantropo à prostituta, estamos falando de algo no qual todos nós estamos incluídos, que é a nossa perversão básica, pois “todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Veja como a oferta pelo pecado se manifesta; como é fácil perceber a basicalidade deste pecado e como ele se define em essência pelos animais que são oferecidos como oferta: o bezerro e o bode.

Podemos observar que em alguns sacrifícios encontram-se, em suas oferendas, animais afins, harmônicos, seres de uma única espécie, mostrando uma homogeneidade na oferenda. Mas esta aqui é antagônica: o bezerro e o bode. E podemos perceber aqui uma declaração sobre a ambigüidade básica do meu e do seu ser. O bezerro nos lembra do lado forte ao mesmo tempo inocente da alma humana, seja ele qual for. O bode, entretanto, fala do lado das sombras, de nossa rebeldia, de nossa atitude turrona interior e da nossa obscuridade. Por exemplo: às vezes a gente vê determinados monstros sendo apresentados e julgados pela mídia, na sociedade, e você de casa, assistindo à televisão ou lendo seu jornal, vê aquela descrição e diz: - Este aí é um cretino! Tem mais é que ser esfolado.

E isto acontece porque a mídia só apresenta o bode que habita aquele homem. Mas um dia você descobre que tem uma prima que é prima em terceiro grau do bode, ou descobre que um tio seu é casado com uma concunhada do bode. O fato é que você e o bode se encontram. Aí, o que acontece? Apesar de toda a prevenção que você sinta pelo bode, você conversa com ele, e, no final, acaba em crise: ele tem cavanhaque de bode, cheira como bode, tem cara de bode, mas tem alguma coisa de outra natureza nele. Você começou a perceber que dentro do bode há um bezerro, tem inocência de vez em quando, humanidade, força em outras direções. Para sua surpresa, sua prima, que é prima de terceiro grau do bode e o conhece desde criança – pois brincou de casinha, de médico e jogou bolinha com ele – acha que o bode não é bode, é bezerro.

Com muita freqüência, eu me deparo com esta situação da natureza humana. É por isto que, às vezes, casais se separam, e a mulher fica odiando o marido, porém, os filhos não. Isto se deve ao fato de que a mulher dormiu com o bode 17 anos, mas os filhos recebem lambida do bezerro.

Esta coisa está aí dentro da gente o tempo todo; por isto, gerir relações humanas é tão complexo. A mesma pessoa provoca rea¬ções distintas inspirando ódio e repulsa, mas, por outro lado, cari¬nho e compaixão. Isto porque estas duas naturezas, estes dois bi¬chos moram dentro de mim, me chupando, me empurrando, me pu¬xando em direções distintas, e é exatamente isto que tem a ver com o pecado básico que me esquizofrenizou, me rachou e se encontra na base do meu ser.

Eu sou pecador não porque eu peco, mas eu peco porque eu sou pecador. Não sou pecador porque fiz besteira. Mesmo que não tivesse feito besteira alguma minha natureza é a de pecador porque eu sou rachado. O bode e o bezerro habitam o meu ser.

Esta situação é tratada no texto com a oferta pelo pecado, que é a oferta pelo pecado básico do ser. Ora, ela tem duas dimensões: a primeira está no nível essencial daquilo que eu chamaria dos metabolizadores do ser. Esses conteúdos básicos do ser são pro¬cessados no laboratório da alma, por isto esta oferta pelo pecado queima os metabolizadores orgânicos dos animais.

Se não veja: o que se queima pela oferta pelo pecado é a gor¬dura de um elemento metabolizado. Queimam-se também os rins, que são órgãos metabolizadores, capazes de eliminar excesso de água, sal e elementos estranhos, promovendo a estabilidade da pres¬são sangüínea, produzindo hormônios e estimulando a produção das células vermelhas; e queima-se o fígado, que é laboratório químico por excelência, capaz de limpar o sangue através da excreção de toxinas.

Em outras palavras: o que a Escritura está nos dizendo, de uma forma bastante sutil, é que o juízo de Deus que cai sobre o ser - ¬sobre mim e você, nas fontes da nossa própria perversão - tem a ver com nossa essência básica. Todos estes elementos - gordura, fíga¬do, rins - estão associados a fontes do interior. Assim como no Novo Testamento é o coração que ganha a centralidade da interioridade humana - porque o coração era órgão e fonte de interioridade na cultura grega - no Velho Testamento são o fígado e os rins que pos¬suem esta conotação essencial. E por isto são os metabolizadores da alma.

Só um detalhe a mais: tanto os rins como o fígado e outros ór¬gãos internos eram considerados portadores de vida. Os rins eram reputados como porção seleta, talvez pelo seu invólucro de gordura e como centro da personalidade e da vontade; o fígado, órgão pe¬sado, servia também como material de adivinhação (Ez. 21:21), e os ferimentos no fígado eram considerados fatais, embora não fossem no coração; a gordura, habitualmente, era a parte queimada e dedicada a Deus, mas não a gordura em geral e, sim, a dos rins, do fígado e intestinos Não é à toa que o juízo de Deus toque justamen¬te aí na essência da gente, e só depois que estas coisas essenciais são queimadas e visitadas pelo juízo Divino é que se passa para um outro nível: o da percepção do pecado básico.

A segunda dimensão chamarei de os exteriorizadores do ser. Notem que não se queimam só a gordura, fígado e rins, mas queima-se também a carne que é o invólucro da nossa invisibilidade espiritual. E, mais ainda; queima-se o couro. Diz o verso 10, no mesmo sacrifício pelo pecado que couro e carne são queimados. E onde são queimados? Repare a diferença. Os elementos anteriores correspondentes à alma e ao metabolismo do ser são queima¬dos no altar. A carne e o couro, por sua vez, são queimados do lado de fora, ou seja, na história visível e perceptível. Isto mos¬tra de fato que eu peco porque sou pecador, porque existe um in e um out em mim; porque existe uma coisa dentro que se manifesta fora.

Ora, são estas perversões da intimidade que se transformam em comportamento, surgindo assim a necessidade superficial da moral e da ética, às vezes manifestadas de maneira boa, outras vezes tortas. Por esta razão, tenho que dizer que mesmo as melhores ações de um santo são invadidas pelo pecado.

Este sacrifício revela quem eu sou. Não se está falando de quem Deus é. Este é um sacrifício profundamente psicanalítico, pois revela a minha natureza. Antes de Freud ou Jung, Deus mostrou quem eu sou e que minha natureza rachada é pervertida em sua essência. Ora, a ênfase desta ação divina está no fogo. Ou seja: em queimar os elementos da minha ambigüidade e no juízo divino sobre a minha tortuosidade interior e exterior. Isto porque, para Deus poder perdoar pecados, Ele tem, antes de tudo,que julgá-los. É por isto também que, antes de Deus poder nos salvar, Ele precisa de nos convencer do pecado.

Para a minha angústia,esta mensagem foi jogada fora, deixada de lado; as pessoas se aproximam de Cristo porque Ele é poderoso,para terem prosperidade, para ficarem ricas, para serem curadas, para terem seus problemas resolvidos, porém quase ninguém tem mais consciência de que Cristo é o único que pode salvar minha alma, tocando a perversão básica da minha natureza, cobrir meu pecado. É o único que pode justificar minha vida, porque eu em mim mesmo estou perdido. Posso ser até um próspero, mas um próspero perdido; posso ser muito rico, ou um empresário de sucesso, ou ainda famoso e respeitado, porém ainda assim sou um perdido porque eu preciso fundamentalmente da graça de Deus e do fogo que queima a perversão da minha interioridade.

A OFERTA LEGAL
A segunda oferta que aparece nesta estação da viagem pela graça na direção do fogo é a oferta legal. A primeira nós chama¬mos de oferta existencial, anterior à moral e à ética. Esta outra é a oferta feita perante testemunhas, no tribunal do universo, na cor¬te do cosmos. São os movimentos legais da Divindade, afirmando as razões de Deus para perdoar pecados e pecadores.

Assim, nós somos introduzidos à idéia do holocausto que apa¬rece no texto como pacto da graça; ou seja, como convênio de Deus com estes seres que são bezerros e bodes em si mesmos. É a aliança da graça e misericórdia divina se movendo na direção do homem, sendo Ele aquele que tem o papel de justificar os injustificáveis.

Este é um sacrifício de animais afins: o cordeiro, o bezerro e o carneiro sem defeito. Isto é muito significativo se pensarmos que são três os animais trazidos para esta corte. Parece que é uma ten¬tativa divina de simbolizar o empenho total do Deus trino em justifi¬car de modo completo todos nós. Aqui não há ambigüidade porque esse sacrifício não fala de quem eu sou mas de quem Deus é. O outro falava da minha natureza, este fala da natureza divina. A mi¬nha tem que ser queimada. Já a natureza santa de Deus é que pode derramar-se em sangue como propiciação pelos pecados.

As ofertas são, portanto, absolutamente uniformes e perfeitas.Neste ponto se declara a dimensão legal e final da aliança de Deus com os homens. Aqui, Deus dá satisfação ao universo sobre as razões definitivas que Ele tem para ser perdoador dos pecadores, e a razão se calça no sangue do Cordeiro sem defeito e sem mácu¬la.

Esta descrição da viagem pela graça tomou dimensões históri¬cas há 2 000 anos e a cruz se ergue: por isto a ênfase recai no sangue do Senhor Jesus. Ora, visualizando isto eu sei quem Deus é, reco¬nheço a aliança dadivosa do pacto irreversível do Todo-Poderoso que vem e se oferece em sacrifício pela ambigüidade do ser humano.

A OFERTA PELA PAZ DO CORAÇÃO

A terceira oferta é a oferta pelo sossego da alma. Outra coisa completamente diferente temos aqui: Saber quem eu sou pode gerar um tremendo desconforto, como diz Hebreus 10:26-27:

"Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de ter¬ mos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacri¬fício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários."


Uma percepção que produz uma expectativa de fogo e de juízo vingador. Ora, não há nada pior que você perceber quem é longe da graça de Deus,porque, quando isto acontece,você mergulha num processo de adoecimento interior mergulha, suas neuroses e psicoses vão crescendo, pois você se viu e se desprezou. O que acontece em decorrência desta percepção é que você quer fugir de si mesmo mas isto parte e estilhaça você.

Entretanto, quando eu sei quem sou e sei quem Deus é, e quan¬do sei também que, apesar de eu ser infiel, Ele permanece fiel por¬ que não pode negar a Si mesmo, isso me dá segurança e tranqüilida¬de. Porém, isto ainda não é tudo, porque encontro muita gente que pela fé já percebeu a cruz, a expiação pelo pecado, o pacto, a alian¬ça, já aplaudiu isto, já creu, mas ainda não deu o terceiro passo: o de transformar este legado em conteúdo de natureza psicológica,capaz de tomar posse do perdão de' seus pecados diante de Deus, mas também tomar posse deste perdão em relação a si mesmo. Só assim elas poderão ser perdoadas por Deus mas também poderão perdoar-se.

Quando isto acontece, a alma se acalma, o cristão não foge mais de si mesmo e, em vez de correr da sua sombra, abraça-a e fica cara a cara com ela. Em vez de fugir do bode que habita seu interior, o confronta, o submete, busca equilíbrio e controle sobre ele.

E esta graça divina é que nos faz aprender a assentar dentro de nós mesmos. Esta, pois, é a terceira estação dos ritos da graça, a da oferta pelo sossego da alma, chamada de oferta pacífica, compos¬ta por dois elementos: um boi e um carneiro. Novamente nos deparamos com uma afinidade entre os dois animais. A ênfase aqui não está no fogo mas no sangue, no imolar,no dizer:

“Está pago! Sossega! Alguém já pagou sua conta,senta tranqüilo, o cheque já foi assinado, a garantia está dada,fica em paz!”

E esta é a paz subjetiva que decorre da fé no pacto da graça, capaz de transformar essa compreensão em conteúdos de natureza psicológica e colocar a alma para sossegar. Neste ponto, o ser hu¬mano já assumiu o juízo que ele merece, pois sabe quem ele é e se o juízo viesse sobre a sua ambigüidade ele morreria. Já deu também o segundo passo na viagem da graça que justifica e agora está dando o terceiro passo: assumindo a paz que vem desta justificação.

Comparemos esta seqüência com Romanos 4:24-25 e 5: 1-3.

"Mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação."

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; Por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriemos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança."

Romanos 4:24-25 fala-nos sobre o sangue de Cristo e o 5: 1 diz: “¬Justificados pois mediante a fé temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Ora, sabendo disso, eu tenho paz. Se não dormir à noite é porque estou sem sono e não porque estou perturbado; se ficar tenso é porque o dia está cheio, mas não é mais porque estou de¬sesperado: tenho paz! Esta não é a paz do perfeito porque O bode e o bezerro continuam lutando dentro de mim, mas a paz do per¬doado, daquele que se sabe acolhido e aceito pela graça de Deus.

Assim, a alma inicia seu processo de cura, de reconciliação com Deus, consigo mesma e com a vida; assim pode haver genuína cura interior. Sem isto não existe cura interior, existe passe evan¬gélico. Existe qualquer coisa mas não cura. Só quando a paz da graça nos embala, nos nina e nos faz cafuné é que a alma pode começar a ser curada

De vez em quando eu encontro alguém que me pergunta:
- Pastor, você faz cura interior?
E diante da minha negativa uma senhora continuou:
- Perguntei por que achei que o senhor fazia, lá na minha igreja faz. O pastor dá um passe, a pessoa dorme algumas horas e acorda como curada.

Muitas vezes o indivíduo freqüenta esse tipo de reuniões em que diversos métodos são aplicados e nem sempre os resultados são satisfatórios, pois continua doente, angustiado, insatisfeito, desequilibrado. Existem muitos remédios capazes de fazer me¬lhor. Aqui, entretanto, não estou falando de um passe de mágica, mas sim de uma viagem do Espírito para dentro da gente: sei quem eu sou, sei quem Ele é, sei o que Ele fez por mim e isto é meu, me pertence. Desta forma, eu sento interiormente com meu pai que mora em mim, com minha mãe, meu tio, tia, primo, filho, com todas as multidões de personalidades e heranças psicológicas que tenha herdado, e descanso

A OFERENDA DAS ALEGRIAS DA EXISTÊNCIA

A quarta é a oferta dos prazeres da vida. Veja como come¬çou isto tudo: inicia com a crise do ser, passa pela crise divina de derramar sangue por quem Ele ama, chega ao ponto em que se pede posse do que Deus fez, então se alcança a paz. E aí, com a minha alma sossegada, eu danço; quando ela está em paz,eu celebro; começa a festa, chega a hora do banquete, que aqui é chamado de oferta de manjares: a mesa está posta e eu trago os produtos de minhas mãos para Deus. Sim, meu arroz, minha farinha, minha can¬jica, manjares da vida, pois chegou o tempo de ser feliz.

Nesta parte há a menção de um fogo, só que não é o fogo do juízo. Este queima um bocado do alimento, mas não o alimento todo. Que coisa! Não tira o prazer da vida, mas dedica-se o prazer a Deus. A Bíblia é clara quando diz: é um bocado que se põe diante dEle (Lv. 9:17), que se queima como aroma suave.

Ora, assim se diz que pela graça de Deus este ser torto e ambíguo que sou pode produzir e viver coisas prazerosas diante de Deus. São justamente essas ofertas de manjares que eu trago diante dEle: meus talentos, minha arte, minha capacidade de realizar coisas, minha von¬tade, minha alegria, meu riso, meu tempo, meus recursos, meus amo¬res, minha felicidade, meus prazeres sãos. E um bocado, um punhado dessas expressões da vida se transformam em aroma suave e o outro bocado a gente come juntos. E aí que coisa maravilhosa!

É a paz subjetiva que decorre da graça divina que me coloca nesta estação dos ritos da graça. Diz o v.17, de Levítico, que essa oferta de manjares acontece além do holocausto da manhã. Ora, a fase da culpa ficou para trás; agora eu entro na fase de celebrar minha alma e minha vida na presença dAquele que me conhece e não me despre¬zou.

Neste ponto já passei bem para além da culpa, e agora posso sentar para comer com Deus, para servir a Deus, e para ter prazer em Deus. Aqui. o ser compartilha com Deus seus bocados, sua vida e seus prazeres; já abandonou o terreno da culpa, já assumiu o perdão legal que vem da cruz, já descansou no fato de que a alma pode mer¬gulhar tranqüila na amizade do Divino, e neste ponto Deus é o amigo e a vida é um banquete.

Será que só eu que acho isto maravilhoso? Às vezes, sinto de¬sejo de beijar o Senhor. Este meu Deus que conhece o bode e o bezerro que sou, que derrama seu sangue por mim, que sonda a minha alma, que aceita o meu bocado e senta à mesa comigo. Lou¬vado seja o Teu nome pela paz que vem da cruz!


AS OFERTAS DE MEUS SONHOS E ESPERANÇAS

Chegamos então a um outro momento que não é uma das esta¬ções ou ritos da graça, mas um momento mais maduro nesta viagem de fé. No v. 21 de Levítico 9, a Palavra de Deus nos chama atenção para um movimento que não estava previsto, que não havia sido des¬crito, mas aparece no fim de tudo: são as ofertas movidas. Acho interessante que o movimento de ação só vem depois de reconcilia¬ção, o ministério só depois do encontro.

Tenho estado triste e preocupado ao ver artistas, músicos, em¬presários, celebridades que mal se convertem e já são guindados para o púlpito a fim de pregar. Eles vão de jantar em jantar, reunião em reunião, culto em culto como perus de festa ou promoção de lojas, para atraírem público; e falam de algo que tão recentemente experimentaram sem ainda conhecerem direito, mas que já dá o gostinho de prestígio, fama e conforto. São colocados a fazer ofer¬ta movida quando não tomaram consciência do bode e bezerro que têm dentro de si.

Ora, a oferta movida só vem depois que a alma sentou com Deus, comeu com Deus e Deus então diz: - Pode sacudir, meu filho,pode movimentar. Antes disto não faça ofertas movidas. Antes disto, gera frustração, distorções, escândalos. É bom não esquecer de que os apóstolos só foram fazer oferta movida (missão no mundo) depois que passaram pela Cruz, Ressurreição, Reconciliação (aqui, Pedro acalmou o bode e o bezerro de suas contradições) e a Festa de Pentecostes. Permanecei na cidade até que do alto sejais reves¬tidos de poder.

Esta, portanto, é a viagem linear das quatro estações dos ritos da graça, que nos conduz à experiência do fogo que cai do trono de Deus.

O CAMINHO QUE CONDUZ DO ÍNTIMO AO PÚBLICO

Para concluirmos este capítulo, gostaria de tratar agora de uma segunda viagem: é o caminho que vai do inconsciente ao com¬portamento público. Já vimos que a primeira viagem parte do existencial até a possibilidade de celebrar Deus nos movimentos da vida. Já a segunda jornada tem ainda um sentido mais profun¬do, pois começa no inconsciente da gente, nos sonhos, nas fantasi¬as, nas projeções e vem até a praça pública, lugar onde a gente representa, às vezes, um personagem e não o ser que a gente sabe que é.

Que caminho, portanto, é este que começa no do inconscien¬te? Atente para o v. 14 do nosso texto. Veja como o texto fala desta oferenda das entranhas e das pernas. Eu acho profunda¬mente interessante: entranhas e pernas! Por que não são entranhas e rins? Por que um dos elementos é de dentro e o outro é de fora? Só posso ver isto como uma das coisas mais caracterizadoras do meu movimento, da minha ação, da minha volição, que vai das minhas entranhas até as pernas.

Que imagem linda para nos fazer visualizar a associação entre as produções do inconsciente e o comportamento exterior; a co¬nexão das coisas do íntimo, as quais determinam o meu comporta¬mento do lado de fora mais do que as pressões de fora sobre meu íntimo. O ditado popular antes só do que mal acompanhado é muito superficial.Má companhia é horrível, porém a pior má com¬panhia é a sua mesma.

De vez em quando eu encontro um bocado de gente que diz:

- Pastor, estou orando muito a Deus, para Ele não deixar você cair, para sustentá-lo. Gostaria de saber se há alguma luta pela qual eu possa orar de maneira mais direcionada.
- Alguma luta especial com o diabo?
- Não, meu irmão, ele está razoavelmente sossegado.
- Seus inimigos do lado de fora?
- Não, isto é tudo besteira.
- Então qual é a oração que você quer que faça?
_ Peça para Deus cuidar de mim porque eu sou o meu pior inimi¬go.

Isto porque eu gosto do bezerro e do bode que existem em mim. De vez em quando eu me vejo acariciando o bode: oh, bodinho! Quero rejeitá-lo, quero dominá-lo, mas muitas vezes ele é mais forte que a minha vontade; ele nasceu em mim, está dentro de mim.

Entranhas e pernas é a figura desta força que, apesar de estar dentro do íntimo, tem ligação com meus movimentos do lado de fora. A partir daí a gente aprende como os sonhos influenciam as ações.


Se você que me está lendo agora for casado, quero fazer-lhe uma pergunta: você já acordou com aquela sensação de que a sua mulher teve algum problema durante a noite? Você levanta, toma café, dá um beijinho de bom dia e ela está lá te olhando de modo esquisito. Você tenta uma aproximação, fala com ela e recebe uma encarada. Aí você pensa: que foi que eu fiz? Será que dei uma cotovelada no queixo quando ela estava dormindo? mordi-lhe a orelha? Que foi?

Aconteceu ultimamente com você? Sabe que pode ser? Às vezes a sua mulher sonhou sabe com o quê? Ela te viu num bar com a vizinha num sonho. Ou então sabe o que ela viu? Viu você gastando o dinheiro todo da poupança com alguém que ela acha que é um tremendo picareta e irresponsável. E o sonho passa a ter espaço na mente e no coração dela.

E se você é a mulher e quando acorda o marido a está olhando com aquela cara de juiz de direito à véspera de um veredicto para mandar ou não mandar o réu, no caso você, para a cadeira elétri¬ca. Muitas vezes isto tem a ver com os sonhos da noite, nada tem de objetivo (pode também ter relação com projeções e fantasias que levam a percepções erradas). Eu, pessoalmente, já vivi esta experiência. Quantas vezes, nestes 23 anos de casado, eu vi minha mulher amanhecer de um determinado jeito e eu não sabia o que era!

- Que foi?
- Nada
- Você está bem mesmo?
- Estou
- São os meninos que estão dando trabalho? - Não, eles estão ótimos.
- E eu fiz alguma coisa?
- Não

Não foi o que eu fiz, mas foi o que mora nos sonhos, nas entranhas dela que fez. Ora, enquanto eu não percebo isto e ela não percebe também, corre o risco de me odiar nos seus sonhos e eu o de desprezar seus problemas, apenas porque não estou sa¬bendo que ela está brigando comigo dentro dela. E aí as entranhas movem as pernas e o sonho e o inconsciente determinam o com¬portamento humano.

Isto acontece com muita freqüência. Por exemplo: eu já me peguei encontrando com pessoas que não me fizeram nada e meu primeiro impulso foi de repulsa. Por quê? Depois de fazer uma viagem para dentro, vejo que eu sonhei que aquele cara me estava dando uma punhalada nas costas. Lucidez é uma palavra fantásti¬ca, porém absolutamente irrealista, pois nós somos todos os dias golpeados por essas forças do alçapão da nossa inconsciência, que determinam os movimentos das nossas pernas e não sabemos nem por que agimos de determinada maneira.

É também aqui nesta segunda viagem que aprendemos como os traumas afetam a conduta humana, como coisas interiores do intes¬tino do nosso ser movimentam nossas pernas. Assim é que violênci¬as sofridas na infância podem produzir uma mulher frígida; como relacionamentos patológicos com a mãe podem gerar um homem sexualmente fraco e impotente; como um relacionamento com um pai esmagador pode tornar o filho num indivíduo de personalidade fraca; como as entranhas do íntimo acabam determinando boa parte dos movimentos da nossa vida.

Aqui aprendemos também como a alma se impõe muitas vezes sobre os valores da moral. Isto porque nós temos do lado de fora um código de conduta para as pernas andarem nele. Entretanto, não sabemos por que mandamos as pernas andarem para um lado e elas vão para o outro.

Diariamente eu também vejo isto acontecendo. Gente tão boa que odeia determinadas coisas mas as faz, e quando percebe já es¬tão feitas. Este nível da existência humana recebe a graça da provi¬são divina do cordeiro, e o que eu acho maravilhoso aqui é que entranhas e pernas não são queimadas naquele primeiro sacrifício, elas são mencionadas, depois, como coisas que estão debaixo do sangue do Cordeiro. Elas estão juntas no pacto da graça e a gente vê a graça cobrindo a involuntariedade da alma, dos pecados que me são ocultos.

Se não fosse assim, todo o sonho que você tivesse com a mu¬lher do próximo significaria um pecado seu diante de Deus. Mas o sangue é também capaz de cobrir a involuntariedade destas produ¬ções da alma que vem das entranhas e Deus faz propiciação por este pecado. O nível desse tratamento é no Altar e não em praça pública.

O CAMINHO QUE CONDUZ DA MULTIPLICIDADE DOS SENIIDOS ATÉ O INTELECTO
A segunda dimensão desta segunda viagem é a da multiplicidade dos sentidos até o intelecto. Vimos que a primeira dimensão é do inconsciente para a vida pública. Já o segundo é movimento da multiplicidade dos sentidos até o intelecto.

Este livro, como você já sabe, é transcrição das palestras por mim ministradas no congresso de líderes da VINDE, e lembro-me de que no dia anterior a este assunto tomei café com um amazonense que estava hospedado no mesmo hotel que eu. Estávamos conver¬sando sobre a minha olfatividade, de como cheiros e aromas têm influência significativa em mim, e como eu os percebo de maneira objetiva. Então ele me falou:

- Isto deve ser coisa de índio mesmo, porque eu tenho uma olfatividade insuportável, sinto cheiro de tudo; minha visão, en¬tretanto, não é tão boa.

Eu fiquei pensando neste assunto da multiplicidade dos nossos sentidos, não só estes sentidos da sensorialidade clássica (audi¬ção, visão, tato, olfato, paladar etc.), mas naqueles outros sentidos tipo intuição, percepção, sensibilidade, ou mesmo os próprios sen¬tidos básicos, mas ampliados, e de como há pessoas capazes de enxergar muito mais do que a vista mostra; ou alguém que, pelo toque de outra pessoa, percebe com clareza seu temperamento e intenções; ou, ainda, aquele outro cujo ouvido é tão afinado que é capaz de reconhecer sons que não são os sons comuns do dia-a ¬dia; enfim; há uma gama de sentidos e emoções que se afloram de uma forma ou de outra na nossa vida.

Aqui, a Palavra de Deus fala da multiplicidade dessas percep¬ções às vezes profundamente desencontradas, e a desconexão delas do nosso intelecto, o que nos torna pessoas monstruosas, eventual¬mente. Veja o v.13 do nosso texto. Pedaços foram trazidos sepa¬rados da cabeça. Estas partes vieram separadas como um corpo desconjuntado, com a cabeça do lado. Aqui, fala-se da multiplicidade do ser, as partes, porém em profunda desconexão com o intelecto, e a cabeça.

Vejo esta figura como um reflexo da incapacidade humana de ser integral. Eu tenho uma insuficiência radical para ser integral. É também um símbolo de como freqüentemente nossas partes estão separadas do nosso intelecto. Esta é uma manifestação do pecado em nós, arrancando a nossa unidade essencial e nos dividindo nem sempre sob o comando da nossa cabeça, a tal ponto que Paulo diz:

"O bem que quero fazer eu não faço e o mal que não quero fazer este faço."

E prossegue dizendo que via duas leis em movimento: uma agin¬do no seu corpo e outra na sua mente. Pedaços de um lado e ca¬beça do outro. Se a graça do Senhor Jesus não estiver sobre isto tudo, eu e você acabaremos num sanatório.

Aqui, vemos o esquartejamento do nosso ser sendo justificado na graça divina através do holocausto, ou seja: na oferta da Cruz. O tratamento disto é no altar, nesse lugar da nossa solidão com a gra¬ça de Deus e a Cruz de Jesus.


O CAMINHO QUE CONDUZ DA CULPA INVIDICUAL ATÉ A CULPA COLETIVA

A terceira estação nesta segunda viagem é da culpa individu¬al até a culpa coletiva. Note esses movimentos do inconsciente para o público; da multiplicidade desconecta para o intelecto; e, agora, da individualidade para a coletividade. A culpa do indiví¬duo e a culpa da comunidade. É isso que temos aqui

O v.7 diz: vai,fazei a oferta por ti e pelo povo. Uma é a mi¬nha culpa, a outra é a culpa de todos nós, sendo que a minha culpa alimenta a tua, a tua alimenta a dele, a dele alimenta a dela...,
'e a culpa de todos nós, juntos, alimenta a minha como indivíduo; e a minha contribui para a culpa de todos Nós somos o resultado de decisões pessoais e também de legados coletivos. Como Pedro disse:

"Nós fomos resgatados, pelo sangue de Cristo, sangue como de cordeiro sem defeito e sem mácula, do vão comportamen¬to que os nossos pais nos legaram."

Desta forma, deveríamos ter em mente o fato de que os peca¬dos individuais alimentam as perversões coletivas tanto quanto as culturas que carregam as cargas das culpas coletivas ajudam a per¬verter os comportamentos individuais. Assim, outra vez somos for¬çados a repetir com Paulo:

“Pois todos pecaram e todos igualmente carecem da glória de Deus”

Talvez você pense que neste último capítulo eu fuja um pouco do tema deste livro, que é O.Caminho do Fogo e como discernir a Chama Divina do Fogo Estranho. Mas não. Não me desviei do tema. Apenas levei você por esse caminho da alma a fim de mostrar uma coisa: nossa condição de pecaminosidade radical.

E fiz isto com apenas uma intenção: mostrar a você que não há nada em mim que eu possa oferecer a Deus sem antes, humilde e conscientemente, fazer meu ser viajar pelos caminhos da justifica¬ção, seguindo os ritos históricos e simbólicos da graça. E por quê? Para que você saiba como é arriscadíssimo tentar arranjar fogo no fundo do quintal, sem passar com temor e sermos gratos pela. vereda das oferendas de justiça e perdão que nos foi aberta por Jesus, na Sua morte e ressurreição.

Só depois disto é que o fogo cai. E quando cai eu não tenho do que me gloriar. Afinal, se não fosse pela graça o fogo, não cai¬ria para vindicar e validar meu culto de vida, mas cairia a fim de me destruir, fazendo de mim uma versão moderna de Nadabe e Abiú

LIÇÕES PARA QUEM NÃO QUER BRINCAR COM FOGO


Quando discernimos estas coisas, aprendemos, em resumo, três básicas para refletir:


1. Fogo que não nasce da graça vai ser sempre desgraça.


Porque carisma que não se concebe como resultado puro da graça que justifica o ambíguo vai ser sempre corrupção do ser e vai sempre desembocar na síndrome de Lúcifer. Pois não há nada pior do que carisma em alguém que não sabe que o carisma dele é ape¬nas graça de Deus, carismatizando a ele, que não merecia nada. Quando ele não sabe disto vira Lúcifer.


2. Fogo que não vem como resultado de um processo de cura pela graça vai sempre produzir tirania.


Não existe nada pior do que alguém que tem o poder de fazer descer fogo do céu, se ele não se sentir irmão dos seus irmãos, se não conhecer sua culpa, a culpa dos outros, e não tiver consciência de que somos filhos da mesma comunidade de culpados perdoados. Aqui e ali essa pessoa não vai resistir à tentação de derreter alguns com fogo. Que exemplo excepcional temos em João e Tiago em Lucas 9:51-56 "Queres que mandemos fogo do céu para os consu¬mir.?" Quando a gente acha que pode fazer fogo descer do céu antes de ter ficado cara a cara com a cruz, é tirania.



3. Fogo que não passa pela vereda do sangue do altar do inconsciente, do comportamento e do ser múltiplo será sempre fogo estranho.

Será sempre produto do homem e da sua presunção, fogo da religião sem Deus e sem dependência Dele,feito mecanicamente nos bastidores do circo da religião, e isto nem eu nem você queremos.

Como autor, meu desejo é o de que meus livros sejam lidos. Porém, muito para além de tudo isso, meu desejo é o de que meus livros façam bem a você.

Quem está lhe escrevendo está muito longe de ser perfeito. Mas pode ter certeza de que se trata de alguém que sabe, com muita profundidade,que o único caminho pelo qual ele quer andar é o da Vereda da Graça, no Caminho do Fogo que vem de Deus.

Caio Fabio


Retirado do livro "O Caminho do Fogo"- digitado por Dora Ramos, do Caminho em Brasília.

 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Estou encerrando mais uma semana cheia de compromissos, portanto muito intensa. Fico analisando cada compromisso e penso nas responsabilidades geradas, e as responsabilidades criadas; As geradas eu classifico como aquelas inevitáveis e que " não temos escolha", são responsabilidades que dizem respeito a nossa sobrevivência.

Já as responsabilidades criadas são situações que a gente pode escolher viver ou não, são escolhas que determinam o significado e o peso da nossa existencia.

Dentro dessa percepção eu fico tentando entender, o que vale e o que não vale apena... racionamente conforme o espirito do evangelho, eu digo pra minha alma: "sem amor de nada vale..." daí entendo racionalmente que o tempero da vida é o amor! no entanto eu sei que a minha condição humana é bem mais dinâmica e cheia de contradições.

Por isso, o que no espirito já está pronto!, na alma e no chão da vida precisa se realizar dia-a-dia, " bastando cada dia o seu próprio mal " enquanto é dia.

Quando penso e sinto assim, meu coração se enche de angustia até o ponto que me entrego em fé naquele que "é maior do que o nosso coração e sabe de todas as coisas" Pois só ele é capaz de tornar o meu "fardo leve", é ele que de "glória em glória", vai me ajudando a compreender o significado do que vale e não vale apena nos encontros do chão da vida.

Por fim termino mais uma semana sem saber tudo que gostaria, mas descansando nele que é a " a paz que excede a todo entendimento"

Fabio Rodrigues


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Nesse próximo Domingo dia 01/08/10 as 10:00, estaremos nos encontrando novamente para celebrar a Boa Nova na Estação do Caminho da Graça em Guarulhos.

Se você percebe e entende a importância do encontro comunitário para a reflexão do Evangelho, na simplicidade de encontro humano, ou seja, o encontro com o próximo, com a vida e obviamente com JESUS!  ("pois todas as coisas subsistem por ele")

Venha compartilhar conosco esse momento!!

TODOS SÃO BEM VINDOS!

Estaremos nos reunindo na
ESCOLA
JOÃO ALVARES
Endereço: Rua ESTILAC LEAL, 325
CENTRO DE GUARULHOS

(o local fica numa rua paralela da Av. Monteiro Lobato na altura do Corpo de Bombeiros)

Vamos tomar um delicioso café.com.graça

Se você puder e quiser enriqueça a nossa mesa!

Paz e bem!

Segue abaixo os meus contatos:
 
Fabio Rodrigues
Tels. 2304-9073 e cel. 9150-1642
E-mail: binhoinforms@yahoo.com.br 
MSN - romanos1619@hotmail.com
ORKUT- binho7@bol.com.br

Informações sobre o caminho da graça, visite o site:
http://www.caiofabio.net/
      
" O CAMINHO É UMA PESSOA E SEU NOME É JESUS "

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O REINO DE DEUS, A AMIZADE E OS ENCONTROS PELA VIDA A FORA

Essa semana dia 20 de julho tivemos o dia do amigo, um dia simples como outro qualquer. Porém, de um tempo pra cá, tenho avaliado o valor de uma boa amizade. Acabou se tornando um momento de muito significado.

Pessoalmente, tenho crido e percebido que o significado da amizade decorre de uma atitude vertical por parte de Deus, que se horizontalizou na pessoa de Cristo, ou seja, na sua encarnação.

Lembrei-me daquele momento em que o mestre durante as últimas instruções se dirige aos dicípulos e diz:

"Já vos näo chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer."

O que Jesus nos fez conhecer do Pai foi o Poder do seu Amor, na simplicidade da sua amizade. Por isso, tenho avaliado a preciosidade do caminho da existência, para que eu continue tendo oportunidade de amar e ser amado, independente das contradições humanas e terrenas.

No fundo creio que a Cruz reconciliou todas as coisas!

Você quer Boa Nova melhor do que essa?

Se você quer, seja livre para amar até os seus inimigos!

Porque tudo isso é Graça de Deus!

Paz e bem!

Fabio Rodrigues

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Nesse próximo Domingo dia 25/07/10 as 10:00, estaremos nos encontrando novamente para celebrar a Boa Nova na Estação do Caminho da Graça em Guarulhos.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

“ESTE PESSOAL DO CAMINHO DA GRAÇA”

Não poucas vezes, nestes últimos tempos, já ouvi e li esta expressão: “ESTE PESSOAL DO CAMINHO DA GRAÇA”.

Logo quando começamos nos encontrar como Caminho da Graça aqui em São Paulo, escrevi este texto na tentativa de esclarecer aos que nos perguntavam o que queríamos. Penso que ainda hoje ele pode ser útil a muitos.

O QUE O CAMINHO DA GRAÇA DESEJA

Na prática, o que o Caminho da Graça deseja é que, não nos tornemos mais um ambiente que o palco se torne o lugar principal, o lugar de honra, o lugar de destaque.

Que não nos tornemos um ambiente de disputas intra-muros para se saber quem é mais ou menos isto ou aquilo. ( perdão, não gastar tempo em detalhes sobre isto ).

O que não queremos é nos tornar um ambiente de gente vaidosa, arrogante, presunçosa, cheia de si mesma, se achando, como dizem por ai. O que menos queremos é nos tornar uma estrutura pesada, isto é, cheia de departamentos, ministérios, projetos, programas, eventos, enfim, ter uma agenda ativista religiosamente falando.

O que não queremos é que nossos encontros se tornem uma mesmice, chatos, mas, também não queremos que eles se tornem um fim em si mesmo. Queremos que nossos encontros se tornem um lugar de conscientização da graça e que, a partir deles, a graça ganhe a vida, o cotidiano, o caminho na peregrinação dos caminhantes.

Queremos que nossos encontros sejam os primeiros degraus para um universo de possibilidades entre as pessoas.

Queremos que, a partir dos encontros, das amizades espirituais que brotam, das afinidades que são identificadas, dos dons, talentos e habilidades que estão disponibilizados, todos se tornem homens e mulheres engajados por causa da graça na vida de outros tantos que precisam saber e conhecer a graça. Para nós, a estrutura do Caminho da Graça tem que ser leve, muito leve, pois, não queremos gente comprometida com a estrutura, queremos gente comprometida com a vida.

Queremos gente trabalhando na vida e não no Caminho da Graça, isto é, na estrutura do Caminho da Graça. E, para que isso não aconteça, não vamos criar estruturas pesadas.

É obvio que precisamos dos chamados mínimos razoáveis para o funcionamento, para a operacionalização do caminho, mas, a graça deve funcionar e ser operacionalizada no cotidiano das pessoas. E mais, desejamos que as necessidades que estão surgindo no Caminho sejam atendidas de modo voluntário, natural, simples. Então, todos nós no Caminho, em vendo o que se precisa fazer, que nos disponibilizemos a fazer naturalmente.

Seja o que é muito simples ao que é complexo e demande tempo, mas, que seja natural, espontâneo, voluntário e com alegria em fazer, em servir, sabendo que é assim que se adora o Criador. Sim, claro, temos necessidades básicas que precisam ser atendidas pelos caminhantes, desde chegar mais cedo para ajudar na arrumação do nosso ambiente, a contribuir financeiramente para que tenhamos recursos mínimos para poder existir e se reunir como Caminho da Graça.

Carecemos também de gente com habilidades com crianças, adolescentes, jovens, casais..enfim...é claro que mais cedo ou mais tarde, teremos que saber lidar com estes segmentos e faixas etárias segundo suas necessidades e com uma leitura correta de como cuidar, segundo a consciência da graça. Insisto, que isto aconteça de modo natural, sem estresses e cronogramas rígidos. Mas, tudo isso tem que acontecer com um único propósito, que todos nos tornemos melhores seres humanos. Que todos nos tornemos gente na vida.

Cristãos no mundo das pessoas, sejam elas quais forem. O Caminho da Graça deseja que os homens e mulheres, jovens e os maduros, crianças, enfim, todos sejam gente como gente deve ser. Pais, maridos, esposas, mães, filhos, profissionais, cidadãos melhores. Melhores em suas casas, trabalho, escola, universidades, na rua em que moram ,no bairro, na cidade, em qualquer lugar.

Que cada caminhante se voluntarie em algum projeto que visa melhorar as pessoas, atender as pessoas, cuidar das pessoas, servir as pessoas, sejam elas quais forem. Que nos engajemos em atividades culturais, ambientais, sociais, políticas, que visam dar qualidade de vida às pessoas.

Que nos ocupemos com programas, projetos e iniciativas que devolva a dignidade às pessoas. Seja na rua de casa, na escola, na creche, no hospital, na cadeia, asilos, e tantos ambientes onde a dignidade humana tem sido desprezada. Que os caminhantes se tornem solidários nos eventos trágicos da cidade. Que se mobilizem em direção dos que choram, sofrem, caem pelo caminho. Mesmo que sejam pequenos gestos de amor, de carinho, de simpatia, de compaixão.

Em casa, na família, que a graça produza relacionamentos saudáveis, onde haja conversa com filhos, com pais, avos, tios e tias, primos...Interessem-se por eles. Ouça sua mulher. Ouça seu marido. Ouça seus filhos. Ouça seus pais. Queridos, no Caminho da Graça, não queremos ganhar o mundo ou tudo que o mundo tem, e, perdermos a nós mesmos ou os que estão a nossa volta.

Quantos que com o discurso de ganhar o mundo para Jesus, se perderam, e perderam os que lhes eram mais caros e queridos. No Caminho da Graça, queremos nos re-encontrar com a nossa própria consciência cristã, e re-encontrar todos e tudo que de fato dão significado à vida. Isto é tarefa para a vida toda e esse é o convite para uma peregrinação longa, paciente, demorada, mas, cheia de significado.

Que seja assim. Isto é o que queremos no Caminho da Graça. Se é o que você quer, és bem-vindo.

Este pessoal do Caminho da Graça deseja se identificar com o Evangelho de Jesus de Nazaré. Só isto.

Se entender que deve e se você não está engajado em nenhuma outra comunidade e, se quiser, apareça para um CAFÉ.COM.GRAÇA.

DOMINGO 18H30

Graça, paz & bem.


Carlos Bregantim

TWITTER ( Vem comigo...e no Caminho te explico )
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Caminho da Graça
Estação São Paulo


TODOS OS DOMINGOS ÀS 18H30


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( pertinho da Estação Vila Mariana do Metro )

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Olha, ao cancelar uma conta no gmail, cancelei o perfil que estava ativo no Orkut. Tenho um perfil lotado e abri um novo se vc quiser adicionar. Mas só se vc ainda não está no perfil lotado, ok?

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Encontro dos "do Caminho" em Guarulhos

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quinta-feira, 15 de julho de 2010

MEMÓRIAS DO SÉCULO XXI

As previsões sobre o futuro estão quase sempre erradas. Mas quem disse que é para as pessoas saberem o que vai acontecer com elas amanhã?

Por Max Gehringer

Hoje é 20 de agosto de 2124, quarta-feira, que no Brasil agora chama Wednesday, já que o português foi oficialmente banido quando nos tornamos o 67o Estado dos United States of Wide America, em 2095. Teve quem não gostou, claro, principalmente depois que a Floresta Amazônica virou a Tropical Disney World, mas a maioria apoiou porque finalmente pôde tirar passaporte americano sem aporrinhação e passou a receber salário em dólar.

É verdade que muitos brasileiros ainda conservam um ranço xenófobo, o que é meu caso, por isso este relatório está sendo escrito em nossa antiga língua-mãe, que eu só domino porque nasci lá no distante 1980. Fiz 144 anos, trabalho há 126, estou forte e saudável, mas já ouço insinuações de que minha carreira entrou no plano vegetativo. A vida corporativa do século XXII não é justa com o pessoal da sexta idade, como eu: basta a gente chegar aos 140, e começa a ser discriminado no trabalho...

Os velhos tempos me dão saudade (uma de nossas poucas palavras que entraram no Mega dicionário Americano, como sinônimo para "senseless feeling"), apesar de quase mais nada ser como era. Por exemplo, eu nasci com unha, cabelo e dente, últimos resquícios de nossa ascendência selvagem. E na juventude pratiquei zelosamente um ato denominado "sexual" para a reprodução da espécie, coisa que, hoje, a ciência simplificou muito: basta ir a qualquer McDonald's, comprar um kit de óvulo espermatozóide (o número 3 tem sido o preferido pelos consumidores, porque acompanha uma Coca-Cola grátis) e inseri-lo num tubo plugado a um sistema embrionário - cujo nome técnico é "tamagoshi". Aí, é só redigitar a configuração desejada do genoma e depois ir clicando os comandos para as cargas vitais de proteínas. Simples. Em seis semanas, aparece a ficha fitoergométrica da criança, os custos de alimentação e educação e a mensagem "Are you sure you want to give birth?" Meu filho mais novo, o 365A27W648, vulgo "8", agora deu de ser curioso e me perguntar porque no meu tempo as coisas eram tão complicadas. Eu tentei explicar para ele que o tal ato ia além da simples reprodução, que a gente sentia prazer em copular, e ele fez aquela cara de nojo, típica de adolescente recém-saído da universidade. Mas, tudo bem, ele tem só 4 anos, um dia talvez entenda melhor. Eu sei, estou divagando, desculpem. Não é das reviravoltas da natureza que este relatório trata, e sim das relações no trabalho. Meu hiperboss vai fazer uma apresentação no mês que vem, em Urano - com o criativo título de "Como Enfrentar os Desafios do Século XXII" -, e pediu minha colaboração.

Ele quer mostrar às novas gerações a evolução da interação entre empresas e funcionários ao longo dos últimos 150 anos, desde a chamada "Era Jurássica Trabalhista" (1980-2020) até o aparecimento do "Homo Pizza", no final do século XXI. E me escolheu porque eu vivi todas as etapas do processo, além de ser o único por aqui que ainda sabe usar algarismos romanos. Então, vamos lá:

TRANSPORTE

Os empregados acordavam de manhã e iam para seu local de trabalho dirigindo um veículo pesadão e lerdo, que funcionava queimando derivados do extinto petróleo, chamado "automóvel" - não sei bem por que esse nome, que significa "move-se por si mesmo", já que o tal veículo só se movia sob comando humano e, algumas vezes, nem assim. Mas a maior dificuldade era enfrentar o "trânsito", do latim transire, "ir para a frente", e esse era exatamente o problema, já que o trânsito quase nunca ia em frente, e daí originou-se uma frase de uso muito comum, "Atrasei por causa do trânsito", que li teralmente significa "Fiquei para trás porque fui para a frente". Ou seja, aquele povo era duro de entender. O mais incrível é que, apesar de tanta confusão e contrariando a lógica, as pessoas ainda conseguiam chegar ao que chamavam "local de trabalho".

LOCAL

O sistema jurássico de trabalho era coletivo, e as empresas até usavam jargões como "teamwork" para incentivar essas aglomerações, sem atentar para o fato de que elas eram uma fonte de proliferação de micróbios.

O ponto de encontro era o escritório, um lugar onde os funcionários escreviam, daí a origem da palavra. Eram áreas enormes, onde pessoas se amontoavam em cubículos e passavam a maior parte do tempo produzindo "documentos", cuja principal finalidade era a de servir como evidência física de que as pessoas estavam ocupadas. Após produzidos, os documentos eram imediatamente "arquivados", de preferência em lugares onde nunca mais pudessem ser localizados. Isso na época tinha o mesmo nome de hoje, "burocracia". A diferença é que os atrasados do século XX faziam tudo com oito cópias, e nós, 150 anos depois, conseguimos reduzir para sete.

INDIVIDUALIDADE

O primeiro passo para erradicar o coletivismo inútil foi o "SoHo" (Small office, Home office), uma sigla surgida aí por 2000, que permitia aos funcionários trabalhar, confortável e produtivamente, em suas próprias casas. No Brasil, uma das conseqüências imediatas do SoHo foi o aparecimento de uma variante esperta, o "SoNo". O que obviamente implicou num aumento brutal da quantidade de documentos produzidos, porque só assim os chefes acreditariam que seus funcionários estavam acordados em suas casas. Depois do SoHo veio o "SoCo", aí por 2050. O "Co", todo mundo sabe, significa Chip office. Foi quando as corporações conseguiram implantar um microchip em cada funcionário para controlá-lo 24 horas por dia, desde o batimento cardíaco até o nível de atividade dos neurônios. Uma das características do SoCo que mais agradou às chefias - além do comando de "wake up call" - foi a possibilidade de emitir um choque elétrico remoto quando o funcionário atrasasse a remessa de um documento.

JORNADA

Trabalha-se oficialmente 2 horas por semana, mas já há rumores de que a jornada será reduzido para 100 minutos semanais. O que, tirando o tempo necessário para o sono e as inconveniências fisiológicas - que não sofreram alterações nos últimos 100 000 anos -, dá umas 120 horas ociosas por semana. O professor Domenico De Masi, que vive em estado de hibernação metafísica na Itália, afirma que isso é um absurdo, e defende a tese de que no futuro trabalharemos 100 minutos por ano. Mas o problema, mesmo, é que nunca conseguimos nos acostumar com o ócio. Por isso, nossa maior fonte de renda atual é a hora extra - fazemos, em média, 14 delas por dia, inclusive aos sábados.

EFEITOS COLATERAIS

Hoje, as megacorporações vêm se questionando se essa troca do trabalho grupal pelo individual foi realmente um progresso. Primeiro, porque ninguém mais conhece ninguém, já que os "colegas" viraram imagens digitalizadas.

Segundo, porque todo mundo ficou sedentário e engordou uma barbaridade. E terceiro porque os antigos executivos eram estressados, e os novos sucumbem à depressão, o que acarreta muitos suicídios (ou, em linguagem ciberneticamente correta, self alt+ctrl+del). O maior guru de administração do século XXII - Tom Peters, vivendo confortavelmente em estado gasoso, num tubo de ensaio - publicou recentemente um artigo que está causando uma comoção corporativa. Ele defende a tese de que "nada substitui o contato humano". Incrível, dizem seus fiéis admiradores, que ninguém tivesse pensado nisso ainda.

EMPREGO

Conseguir um bom emprego hoje em dia não é difícil. O duro é se manter nele, porque as exigências para resultados de curtíssimo prazo aumentam cada vez mais. O tempo médio de permanência num emprego é de 28 horas.

Daí o conceito em moda ser o da habilidade para saltar de galho em galho, ou "businessbilidade", que se resume a três fatores: experiência cósmica, formação galáctica e ser bem relacionado com quem manda.

SEXO

As diferenças entre sexos não são mais limitantes para o preenchimento de um cargo. Não porque tenha acabado a discriminação, mas porque acabaram os sexos.

A antiga classificação masculino/feminino/outros" caiu em desuso a partir do momento em que os assim chamados "homens" e "mulheres" equilibraram seus níveis de testosteronas e estrógenos. A ambivalência chegou a tal ponto que hoje os dicionários só registram a palavra "testículo" como sinônimo de "pequeno teste aplicado a estagiários".

HIERARQUIA

Nos tempos primitivos, as posições hierárquicas eram decididas ou por competência ou por protecionismo. Mas levava vantagem quem acumulava mais diplomas. Tudo mudou a partir do momento em que foi implantado o sistema de "Transferência Integral de Informações", pelo qual qualquer ser humano, quando completa 2 anos de idade, é acoplado a um megacomputador Deep Blue e absorve, em 15 minutos, o conhecimento acumulado pela espécie nos últimos dez milênios. Tem aí uma novíssima teoria dizendo que isso nos transformou numa raça de esponjas, e que o grande diferencial atual é saber pensar por conta própria, em vez de enfiar o dedo no nariz e dar um "retrieve". Segundo a teoria, há uma minoria de pensantes que consegue se perpetuar nas chefias porque tem "Inteligência Psicoemocional", ou seja, uma combinação balanceada de "instinto", "conhecimento" e "autocontrole". Eu acho que já ouvi isso antes, só que não me lembro bem quando foi.

RELACIONAMENTO

Os funcionários têm abertura para se comunicar fora do trabalho, desde que respeitem o conc eito-chave do século XXII: Lógica Absoluta, ou seja, os assuntos devem ficar restritos aos negócios. Sentimentos e emoções, manifestações consideradas contraproducentes, estão proibidas desde 2104. Mas sempre tem quem não sabe aproveitar a liberdade: nosso maior problema social são os subversivos que se reúnem escondidos para praticar o maior delito da atualidade: rir e contar piadas. Não é por acaso que o maior best-seller desta semana é o cibertexto de auto-ajuda "Você Pode Ser Feliz, Desde Que Ninguém Saiba".

INFERNET

A arcaica Internet, uma rede de comunicação que causou furor no fim do século XX, e que hoje é citada como exemplo de paranóia coletiva, foi substituída pela Infernet, à qual todos somos plugados logo ao nascermos. A palavra veio do latim infernus, "subterrâneo", uma analogia a seu formato de raízes que alimentam o caule central. O caule, de onde saem e para onde convergem todas as informações, é a Suprema Inquisição, cuja regra é "Todos somos iguais perante Deus". Sendo que Deus, como todos sabem, é Bill Gates. Embora corra por aí o boato de que quem manda, mesmo, é o ACM.

CONCLUSÃO

Em meus 144 anos, vi o futuro ir acontecendo, e aprendi pelo menos uma coisa: as previsões estavam sempre erradas. Acho que descobri o porquê. Outro dia achei um livro antigo, que já caiu em desuso por ser a negação da lógica. De qualquer forma, lá foi escrito, há milhares de anos, que cada dia é diferente do outro, exatamente "para que o homem nunca possa descobrir nada sobre seu próprio futuro" (Eclesiastes, 7, 14).